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FÓRUM MENINAS TRANS

Eu, com a idéia e ajuda de Li, criei o Fórum Meninas Trans ... Que é um outro canal de debate, com uma mecânica diferente do já existente Meninas Trans (Grupo de Yahoo)

O regulamento de funcionamento do Fórum se assemelha ao do Grupo... Algumas normas a serem seguidas, inscrição, seguida do envio de uma ficha de associação...

O interessante dos Fóruns é a divisão de categorias por assunto, o que facilita a visualização e foca os interesses das diversas associadas...

A menina trans que estiver afim de experimentar essa nova proposta, pode ir no site ao lado, ou visitar direto o link abaixo:

http://www.meninastrans.tk/

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 Escrito por Marcinha às 09h28 [] [envie esta mensagem]



ESTOU ENTRE...

Estou entre um círculo que se fecha e a chegado do novo...

Tenho espalhado essa frase por aí... E as pessoas que lêem não sabem muito bem o que representa... No entanto é algo significativo pra mim... Eu olho as fotos no mural do meu quarto e vejo que 70% daquelas pessoas se foram... Fui dar uma passada pelos porta retratos no meu ap... e vi que grande parte daquelas pessoas passaram... Não porque não as quisesse na minha vida... umas as circustâncias levaram, outras optaram por não estarem mais ao meu lado..

Então a frase lá no início do post nada mais é que a consciência de que muitas situações e pessoas passaram, se foram... E eu continuo agarrada a recordações, lembranças, sensações passadas, que não traduzem a realidade atual...

Tomar consciência disso não tem sido fácil, nem agradável... Muito pelo contrário... Tem deixado um vazio, um vácuo... Minha terapeuta me fez ver que eu continuava presa a essas recordações e pessoas, como quem se refugia num abrigo... No entanto, enquanto você se refugia, não abre espaço para o novo... É pra esse novo que venho preparando o terreno dos meus sentimentos e atitudes... Tenho que distinguir o que parece ser, do que realmente existe... pra que minha vida se torne menos abstrata...

O ser humano tende a viver do passado, ou em cima de "se"... se eu fosse rico, se eu tivesse mais magro, se o príncipe encantado chegasse... se... se... se... E acabamos esquecendo de olhar o presente... ao redor... a vida em momento real...

Um dia desses, um amigo do peito ao ver a frase em questão no meu nick do messenger, perguntou, brincando, se ele estava no ciclo que se fechava... rs... Claro que não... Algumas pessoas eu detecto como reais na minha vida, ou seja, elas têm uma participação formada de realidade e não de utopias e recordações...Essas pessoas eu pretendo levar comigo adiante... mas infelizmente são poucas...

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 Escrito por Marcinha às 23h49 [] [envie esta mensagem]



OS DOIS FÓRUNS...

Podem me chamar de louca varrida!... Só não me atirem pedras, ovos podres, tomates!... ehehe... Tenho sentido saudade daquele fórum longe... onde ninguém sabia que eu era trans... ehehe...

Interessante como a gente se acustuma com o que é bom... não no sentido do fórum ser longe, de ter um único restaurante que servia batata frita com cabelo e da maioria dos colegas de trabalho ser evangélicos... Mas no sentindo de ser tratada como mulher genética... Que saudade de não me sentir diferenciada!! É como ter o gostinho da liberdade e depois se ver novamente presa a uma situação limitada...

É certo que o pessoal do fórum longe se soubessem da minha situação, talvez me tratassem mal, visto ser um grupo de mente mais fechada... entretanto, não é o "se" que está em questão... mas a sensação de liberdade em si...

O problema é carregar sempre esse estigma do "anti modelo"... Aquela mulher que pode ser cobiçada, mas é feio ter ao lado... Namorar uma trans é algo que diminui, pelo menos é assim que a situação se apresenta... E fico ali mais servindo de "esclarecedora da questão trans", do que propriamente vivendo uma vida de mulher... Que situação cansativa essa de ser trans... Affe!!

No meu caso, especificamente, parece não existir uma situação ideal... Não quero me esconder como uma criminosa... e nem quero me expor como uma atração de circo... Então sigo na tal função esclarecedora... Que as as vezes me cansa, como agora, e as vezes me trás alegrias... É como um limbo... Onde não se tá no céu... e nem no inferno... sempre na sala de espera que algo de substancial vá mudar na sociedade...

Well... O jeito é seguir em frente... Mas dá pra entender porque 99% das trans operadas, desaparecem... Elas buscam exatamente se livrarem desse estigma pesado... Talvez consigam em parte... Sei lá... Quem sabe um dia eu tb não faça a minha tentativa... ehehe

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 Escrito por Marcinha às 01h45 [] [envie esta mensagem]



SEXTA DE FOLGA...

Coisa boa é ficar de folga no meio da semana... ehehe... Dá uma sensação de férias... que por sinal estão bem pertinho...

Ainda mais quando a folga é acompanhada de uma ida a psicóloga... Gentemmm!!! Quem viveu tá vendo... ehehe... Eu que odiava ouvir a palavra: "psicólogo"... hoje em dia até torço pra chegar as sextas, pra poder papear com a minha... Puxa!!! Mas tb nunca tinha encontrado uma profissional que houvesse uma identificação tão grande... parece que foi coloca pelos céus na minha vida... Ela é de uma sensibilidade, de uma intuição tão grande, que espanta... Como nós duas somos muito intuitivas... e ela já percebeu isso... a gente se comunica muito através de símbolos, olhares, analogias... É tão gratificante que 1 hora de sessão, parece 10 minutos...

Ontem pela primeira vez eu tava assim meio desanimada pra ir... Mas quando entro no consultório, é como se aquela mulher me enfeitiçasse e começo a falar, falar e sempre chego a alguma conclusão, um pontinho importante que tava a nível inconsciente e que vem a tona... Impressionante que são coisas que parecem estar na nossa frente... e o terapeuta (quando é bom) apenas tira a venda pra que vejamos com clareza...

Tem sido muito proveitoso esse tratamento... No entanto, tem muita dor envolvida... decisões difíceis que vinham sendo adiadas... Parar e olhar a minha volta... me confrontar com meus fantasmas... Eu sempre achava que estava fazendo revisões na minha vida... mas não fazia... apenas via o que queria ver... e a terapeuta me diz aquilo que não quero ver, me faz olhar de frente e pensar a respeito no resto da semana... Porém, faz isso com uma sutileza que não machuca...

Na primeira sessão, ela me disse que tinha a impressão de me ver correndo no ar, com uma venda nos olhos... e que precisava parar... descer e olhar a minha volta... Olhar pra minha vida... Parece algo óbvio, mas é como o "Ovo de Colombo"... Ninguém havia me dito e eu não percebia... Achei super interessante... E todo meu trabalho comigo mesma, tem sido olhar a minha volta, parar de correr desesperadamente e viver um dia de cada vez, como os A.As...

Volta e meia estarei registrando aqui o andamento da minha terapia...


-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-


SOMENTE PARA NOVELEIROS...

Em especial, para os que acompanharam a novela "Senhora do Destino" que terminou ontem...

Eu faço parte do povão... não tenho vergonha disso... apesar de ter minhas opiniões bem formadas, gosto de uma novela da Globo, gosto dos programinhas da emissora... curto mesmo... As vezes, na reta final, até dou uma olhada no BBB, que apesar de ser um programa vazio, sem nenhuma utilidade a não ser pra quem está lá dentro, ganhando os prêmios, faz a gente torcer, lá no fundinho, pra aquele que nos é simpático não ser eliminado da casa... Enfim... nada que eu acompanhe religiosamente... Mas novela, tem algumas que me prendem mesmo... e "Senhora do Destino" foi uma... Ahhh, esqueci, adoro Paulo Coelho, o escritor crucificado no Curso de Letras e pelos intelectuais... ahahah... Quase me linchavam quando dizia que gostava...

Voltando a "Senhora do Destino", eu era fã do Edgar (o dono do restaurante), achava ele o homem mais fofo, com aquele jeito garotão, muito tímido, mas de muita intensidade sentimental deliciosa... Depois surgiu a questão das lésbicas que eu queria ver como seria abordada... E no decorrer da novela tantas situações polêmica foram sendo inseridas... do tipo: relacionamentos entre pessoas com grande diferença de idade, pessoas que repensam suas posturas rígidas perante a vida, políticos demagogos, o drama dos aposentados, a situação difícil das meninas de cominidades carentes que engravidam... Sem contar a abordagem de doencas psicológicas, que carregam um estigma por si só... como: o mal de Alzheimer e a depressão... Enfim... foram vários assuntos "pincelados" e que faz com que o povão pare pra perceber que aquilo existe e merece atenção e porque não dizer, respeito... A questão das lésbicas achei muito bem abordada... pena que fico sempre esperando o beijo na boca, que nenhum autor ainda teve coragem suficiente pra mostrar... Well... vamos chegar lá... e chegando lá... abre o caminho pra abordagem de outras questões mais fechadas, como o transexualismo...

Atrizes maravilhosas interpretaram a trama... Mas creio que o sucesso maior tenha ficado por conta da vilã louca: Nazareth, criada magnificamente por Renata Sorrah... Renata é uma atriz brilhante e uma mulher que passa uma energia incrível, uma vez vi uma entrevista dela no "Programa do Jô" e fiquei fascinada com sua garra e adoração pela profissão...

Bem... Nazareth era uma vilã sem limites, e todos que acompanham meu blog sabem da minha fascinação por vilãs... Essa, acho que foi a que reuniu mais defeitos juntos, era fria, assassina, amoral, passava como um trator em cima de qualquer pessoa que a separasse da filha roubada: Isabel... No entanto, seu amor por Isabel, apesar de completamente doentio, chegava a comover em certos momentos... Assim como ocorreu na cena final... que ela entrega a filha de Isabel na ponte, lhe dá um último abraço e se joga... Acho que tenho chorado até com comercial de cerveja... mas essa cena me tocou muito, talvez porque o suicídio tenha feito parte de uma época de minha vida...

No entanto, pra toda grande vilã, tem que existir uma mocinha a altura... e Suzana Vieira como Maria do Carmo, deu um banho de interpretação... Eram os dois polos agindo com muita força... e creio que daí tenha vindo o grande sucesso da novela...

Vou sentir falta das gargalhadas contagiantes de Nazareth, bem como de todos os apelidos hilários que ela colocava em quem não gostava.... Muito boa a novela... e muito bom o último capítulo...


=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=

RELACIONAMENTO INICIADOS NO VIRTUAL...

Recentemente um amigo teve uma decepção braba com um relacionamento iniciado na net... Confesso que eu tenho pânico de salas de bate papo e sites de relacionamentos... Acho que já disse isso trocentas vezes, mas vale a pena voltar ao assunto...

No início eu tinha esses sites de relacionamento como a salvação pra minha solidão... investi tão pesado, que se tornou uma bola neve enorme que me atropelou e me esmagou por um tempo... Foram muitas decepções, até um marginal disfarçado de bom moço eu fui encontrar... e me vi correndo pelas ruas de um lugar que eu não conhecia, atrás do primeiro táxi... Não sei o que poderia ter acontecido comigo naquele dia... Mas a verdade é que a mulher fica muito vunerável nesse tipo de encontro... não sei se o homem tanto... Talvez a vunerabilidade do homem se equipare a nossa, no campo afetivo... Acho que todos nós, se estivermos buscando algo sério, podemos nos machucar muito... Claro que existem as exceções, como em tudo... mas pra mim não funcionou, não deu... Não encontrei nenhuma exceção nesses sites... Somente a regra dos homens em busca de sexo fácil... Quando virei esse página, foi pra valer e espero não me sentir tentada a voltar um dia...

No entanto, conheci algumas pessoas maravilhosas na net... Com algumas me relacionei e me relaciono atualmente como namorada... Pessoas que conheci através de visitas em meu blog, ou por caminhos insólitos... E elas representam muito pra mim... Creio que o grande barato seja não se colocar na vitrine, apenas deixar a coisa fluir, exatamente como na vida real... O que tiver que ser, virá... acredito muito nisso...

O que pensam disso??

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 Escrito por Marcinha às 12h58 [] [envie esta mensagem]



POR QUE NÃO OPINAM?!

Fez dois anos agora em janeiro que comecei a escrever em blogs... Primeiro foi num site onde tinha um esqueminha fechado, que se chamava "Super Diário" e só quem era cadastrado é que podia nos ler e comentar... Mas como os comentários era individuais, ou seja, o comentário ia apenas pra quem escreveu o post... com o tempo foram surgindo muitas fofocas, intrigas bobas que acabaram por me cansar.... Um dia o site saiu do ar... e o Clayton me trouxe pros blogs... No início eu estranhava a mecânica dos comentários públicos dos blogs... Sempre me parecia que as pessoas tinham muitas reservas no que diziam, exatamente por saber que iam ser lidos por todos...

Um dia visitando a listinha de blogs do Clayton eu caí no blog do Garland e fiz um pequeno comentário... Ele devolveu a visita... e começamos com comentários crescentes até chegar na amizade que temos hoje... uma amizade forte onde nos abrimos completamente um com o outro...

Aí eu fico pensando... Se eu nunca tivesse comentado o blog do Garland e se ele tb não devolvesse a visita me comentando, como teríamos nos conhecido?... Exatamente a iniciativa de comentar, escrever, expor a opinião foi que fez a gente se encontrar... Pra mim isso sempre foi claro... Se eu for no blog de alguém, ou visitar uma página qualquer que eu possa emitir minha opinião, certamente o farei... No entanto, percebo que existe um medo grande na net quanto a isso... Não só no sentido de se comentar as idéias alheias, mas de expor seus próprios pensamentos em posts...

Um dia desses Li criou um fotolog pra mim... E eu comecei a colocar umas fotos assim como quem não quer nada.... Depois de algumas fotos, eu sentia falta de algum texto que me registrasse como ser pensante dentro daquela imagem... e passei a colocar posts acompanhando as fotos... Ficou mais a minha cara... Quem entra vê como sou fisicamente, mas mais importante que isso, sabe um pouquinho do que penso... E fui dar uma olhadinha nos fotologs que tinham por lá... Só fotos e algumas poucas frases... Tenho recebido comentários... do tipo: "Passei por aqui e gostei"... " Adorei, me faça uma visita"... isso quando não largam um texto, que nem sei de quem é... se da pessoa... se de um escritor famoso, ou se do padeiro da esquina... Essa falta de identidade é irritante!!...I

Sempre dei mais valor aos pensamentos do autor do blog, fotolog, ou seja lá o log que for... E por um tempo eu ficava caçando blogs que tivessem um conteúdo interessante... Achei alguns, e comentava muito, mas nunca sabia se a minha opinão tinha sido entendida... E acabei por me cansar...

Mas sempre me pergunto... Por que as pessoas têm tanto medo,de expor o que pensam sobre os assuntos abordados???... O que trava tanto o leitor na hora de comentar ou de escrever sobre os assuntos??? Insegurança? Medo de ser identificado? Ou simplesmente não tem o que dizer??? ... Até no Grupo Meninas Trans, tenho que ficar cutucando a maioria das meninas pra "falarem"... Tem uma minoria que diz o que pensa mesmo... mas as outras ficam ali lendo as mensagens... assim como os leitores de blog... Absorvendo... Sem que a gente saiba o que pensam... Eu estranho demais isso... Acho que nunca vou me acustumar com essa passividade perante as situações, mesmo que essa situação esteja apenas relatada num texto...

Estou lembrando agora do escritor oco... A gente só sabe o que ele pensa se alguém disser aquilo por ele... ou seja... Pega todos os poemas, músicas, trechos de reportagens e tal... e enche o blog... como se não tivesse palavras próprias, como se não soubesse dizer do que gosta, do que tem medo, o que o encanta, etc e etc.... Ahhh... e também aqueles que enchem o blog de figuras piscantes, fotos, bonequinhas, enfim... um acumulado de imagens sem pé nem cabeça... Não sou contra imagens e poemas em blogs... tanto que utilizo as músicas e poemas pra me expressar, mas tem que tá inserido num contexto pessoal... Quem lê deveria saber o porquê daquilo estar ali, ou pelo menos supor... rs...

Qual a sua opinião??? Porque as pessoas têm medo de escrever o que pensam??? Olha lá!!! Não vai passar por aqui, ler o post e ir embora calado.... ehehe...

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 Escrito por Marcinha às 23h13 [] [envie esta mensagem]



AS MULHERES DA MINHA VIDA...

Calma gente... não foram romances... ehehe... Poderia até ter sido... Nada contra... Mas as mulheres da minha vida estão no sentido da admiração...

As mulheres feias e carismáticas sempre me atraíram... Acho que o carisma e a inteligência me fascinam mais, que traços bonitos... Claro, adoraria ser uma bonequinha bem bonitinha... Qual mulher, no ápice da sua vaidade, não gostaria disso??... eheh... Mas aquilo que acompanha o ser... aquela aura de magnetismo e talento, é, sem dúvida, muito mais interessante...

Fico fazendo uma retrospecitva e analisando o perfil das mulheres que são os meu modelos... e percebo que a maioria não é bonita... mas sim de grande presença...

Lá pelos meus quatorze anos, me encantei por Maria Bethânia... Aquela mulher de traços nada interessantes para os modelos sociais, no entanto, uma diva no palco... Um ser de grande carisma, que enfeitiça a platéia... Aquele misto de falta de beleza e presença de talento era como uma bandeira que eu erguia... No fundo eu dizia pras pessoas: - Assim que me sinto, feia por fora (por ainda ter um corpo masculino), mas tenho valor!! Será que ninguém vê???... E quanto mais falavam que Bethânia era feia, mais eu gostava dela... pois ela era a minha voz... não no sentido físico, mas como expressão social...

Logo aos meus dezesseis anos, Glória Pires entrou pro rol... Não podemos dizer que ela seja feia... Ela até que é bonita, não dentro dos padrões de peitões, bunda e traços lindos... Mas ela tem um visual bonito... Com Glória surgiu aquele desejo de se parecer... Eu queria ter aquele lindo cabelo que mais parecia uma cortina de seda... Aquela voz bem empostada... e... mais uma vez o talento surgindo como "carro chefe"... Eu via aquela atriz interpretando um papel com tanta força, com tanta naturalidade...
E ela passou a ser a representação da mulher que gostaria de ser, tanto em corpo como em talento... Bem... Há que se perceber que minha auto estima nessa idade era zero... Eu praticamente não existia como ser humano... Eu era sempre a sombra de alguma amiga... Sempre com medo do mundo...

Bethânia e Gloria Pires me acompanham e eu as acompanho durante minha vida...

Mais tarde surgiu Janis Joplin e Angela Ro Ro... Também numa fase conturbada, regada a drogas e álcool... No entanto mais uma vez o padrão se repetia... Mulheres fora dos padrões de beleza, com talento... Não ponho em questão se alguém gosta ou não dessas mulheres... se a arte delas agrada ou não... A verdade é que se destacaram pelo que fizeram e não pela imagem bonita, muito pelo contrário, algumas até são bem polêmicas como modelos, seriam como anti modelos...

Claro que estou mostrando alguns exemplos... Dentro desse padrão, admirei várias mulheres... Recentemente cito como um ícone da minha admiração a Marília Gabriela... Ela é boa como repórter, como entrevistadora, é uma mulher bem informada, tem classe, canta razoavelmente bem e podemos constatar na novela da Globo, que soube interpretar e dar vida a um papel pequeno... que acabou voltando ao ar, devido aos inúmeros pedidos... Com todas essas qualidades, ela não é bonita, nem jovem, mas se destaca... É inteligente e não se intimida diante da vida... É uma mulher fascinante... Conquistou seu espaço pelo valor...

Mais pertinho de mim, nesse momento, tem a Renata (nome fictício)... Ele trabalha comigo na mesma sala... e já trabalhou comigo no antigo cartório... Renata é outra mulher que admiro... Nunca abaixa a cabeça diante da vida... Consegue ser doce e guerreira quando necessário... É alguém de presença marcante... Tem um relacionamento estável com um homem que chama a atenção na sociedade (se é interessante de verdade, não entro no mérito) e recentemente adotou uma menina recém nascida, totalmente rejeitada pelos candidatos à adoção, pois não tem as duas mãozinhas... Ela encara tudo isso com uma força e naturalidade impressionantes... Renata tem um caráter que poucas vezes vi pelo mundo... É daquele tipo de pessoa que sustenta a palavra até quando tá se dando muito mal... Well... Ela não é bonita... Ela não se enquadra no padrão de beleza imposto... e mesmo assim ela foi a luta e conquistou tudo... Eu gosto muito dela... E desde o outro cartório a gente se dava bem...

As mulheres cristais são lindas, mas quando caem se quebram e alguém tem que vir juntar os cacos... As mulheres borrachas não tem a beleza, mas quando caem, quicam e alteram o que está em volta... Pensem...

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 Escrito por Marcinha às 22h47 [] [envie esta mensagem]



MINHA COMPANHEIRA...

Quando arrancada do mundo das ilusões e fantasias, do mundo da serenidade infantil... Fui atirada, mesmo sem querer, no universo da consciência adulta... Nessa época, ela chegou para me acompanhar, com sua roupa cinza, olhar sombrio e muda... minha companheira quase inseparável...

Que companhia sufocante e desagradável... uns momentos eu conseguia ignorá-la, mas na grande maioria das vezes, ela me olhava demoradamente como se quisesse sugar minhas forças... Foi difícil me adaptar a sua convivência durante minha adolescência, época em que simplesmente não aceitava o fato da vida ter me dado um ser tão sombrio pra estar ao meu lado...

Anos se passaram e tornei-me adulta... Descobri que existia uma maneira de não perceber sua presença... E me utilizei na privação da sanidade momentanea, no intuito de não sentir a presença dessa criatura que insistia em me entristecer.... Ao fundo do poço cheguei e quando voltei, lá estava ela... bem na beira... me esperando...

Em alguns momentos, algumas pessoas me ajudaram a expulsá-la momentaneamente de minha vida... O seu manto cinza era tirado de cima de meus olhos... e eu podia enxergar o colorido da vida... Ver as formas... Enfim... eu podia sentir a vida pulsando... Entretanto não demorava muito e ela voltava com sua pequena mala... Não precisa de muito... apenas de algumas peças cinzas que trocava regularmente... Sempre muda, olhava-me como se soubesse soberana na minha existência... As vezes esboçava um sorriso sarcástico... muito sutil... pois emoção ela não tinha quase nenhuma... era só o olhar frio a sugar minha alegria... seu manto cinza que eu lutava pra afastar de meus olhos...

Um dia... Encontrei um feiticeiro que utilizando uma magia, fez com que minha detestável companheira sumisse por um longo tempo... Que felicidade!!... Nunca tinha experimentado a liberdade por um grande período... e aos poucos fui esquecendo da companheira indesejável.... Somente aproveitando o colorido que meus olhos enxergavam... Como minha vida foi diferente!!... E o feiticeiro mantia a magia intacta.... magia que afastava a maldita de perto de mim...

Entrtanto, um dia, uma desgraça aconteceu e um raio vindo dos céus atingiu terrivelmente o feiticeiro... o deixando muito mal... eu cuidava dele, mas a magia tinha se quebrado... Ela com um ódio frio, postou-se a minha porta... Não quis acreditar que aquela criatura vinha novamente, com sua pequena mala, viver ao meu lado... O feiticeiro sucumbiu... e ela se apoderou da minha vida... Muda... Fria... Cinza...

Recomecei a minha peregrinação em busca de algo ou alguém que me livrasse de minha companheira odiável... Encontrei alguns magos... alguns sortilégios... Vários métodos utilizei... mas nada parecia abalar sua presença na minha vida....

Hoje me sinto cansada... Muito cansada.... Vago ao sabor do vento e da chuva, com minhas vestes em frangalhos...Tantas foram as batalhas... tantas magias... Alguns magos... Feiticeiros de grande poder... Mas não consegui sustentá-los ao meu lado... Infelizmente não consigo sozinha afastar essa companheira tristonha e inimiga... Que continua sugando minha existência.... tornando tudo sombrio e cinza... com seu ar frio e cínico...

As vezes... as vezes não, em muitos momentos quis, ardentemente, que sua prima, tão mais temida, viesse me buscar com seu manto negro e sua foice afiada... No entanto quem insiste em morar comigo é aquela que nunca desejei ao meu lado: Srª Solidão, com seu manto cinza... sua face fria... e sempre muda... para todo o sempre, muda...

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 Escrito por Marcinha às 18h42 [] [envie esta mensagem]



FAMÍLIA...

Queiramos ou não, é algo importante nas nossas vidas... Ela é a base, nossa estrutura... Já é comprovado em estudos sérios, que as pessoas que crescem e desenvolvem sua personalidade dentro de famílias bem estruturadas, são mais felizes...

Bem... eu não sei como posso classificar a minha... na minha infância eu tinha esse sentido de "família legal"... Mas depois que meus olhos se abriram e eu pude enxergar as pessoas com o senso crítico dos adultos, percebi que não era bem assim... Meu irmão sempre era (e continua sendo) o mais tudo... o mais bonito, o mais inteligente, o mais de acordo com sociedade, enfim... o mais... e pra mim sempre ficou o lugar de gata borralheira... Sem contar que a relação do meu pai com a minha mãe foi se deteriorando, desde minha adolescência... Tudo bem que o casamento não deu certo... mas precisavam continuar juntos? Brigando a cada cinco minutos?

Eu sempre senti não pertencer muito a minha família... Eles são de meias palavras, nunca discutem os assuntos, falam por trás, são preconceituosos em relação a tudo... E eu sentindo que não tinha sintonia... sempre criei meu mundinho paralelo ao deles, pra poder respirar....

Depois que entrei no Tribunal de Justiça, passei a ser melhor tratada, pois comecei a colaborar com as despesas da casa... e no final, já tinha assumido quase todas... Antes, tive uns dois empregos em que ganhava pouco... Tinha que depender mais deles... Nossa!!! Ouvia cada absurdo, chegava mesmo a ser humilhada... porque sempre havia a comparação... meu irmão continuava sendo o exemplo e eu a ovelha negra... aquela pessoa que não deu certo... Massss quando meu dinheiro começou a entrar, a situação mudou um tanto... Eu passei a ser vista com os olhos hipócritas.. Desse ponto em diante os meus defeitos foram relevados em troca do poderoso dinheiro... Eu via tudo, mas continuava apostando que um dia eles perceberiam minhas qualidades (eu as tenho como todos têm..rs)... No entanto a partir do momento que entrei no TJ, iniciei a minha transformação do corpo... e isso foi demais pra minha família... Com o tempo meu irmão e sua família se isolaram, parando de se comunicar comigo... Minha mãe tentava engolir aquilo... fingindo que não tava acontecendo... e meu pai, nessa altura da história, só aparecia em casa uma vez por mês (isso é uma história longa que um dia eu conto)... tornou-se cômodo... eu pagava as contas e ele me via pouco... mas tb não posso negar que de todos, foi o que mais progrediu na maneira como encarar o transexualismo... No entanto, eu convivia diariamente com minha mãe... e a convivência se tornou insuportável... com ela eu tinha que ser 1/2 Márcia... e eu não aceitava isso... e os choques se seguiam... até que eu cansei e fui morar só....

Tudo parece mais fácil de realizar em nossas mentes, quando é no dia a dia... O trabalho, a vida cotidiana e os amigos nos distrai muito daquilo que ficou mal resolvido... pois eu lutei muito por uma aceitação de peito aberto e tive que abandonar o "campo de batalha" (no caso o convívio com eles) por ter perdido a guerra mesmo... Eu não consegui mostrar que sou uma mulher transexual, mas tb sou um ser humano com várias outras nuances...

Chega essa época do Natal e tudo vem a tona... como um lixão que a gente remexe no fundo de um lago...

Há muitos anos que fico excluída da família nessas datas... Meu irmão viaja e leva junto meu pai e minha mãe... Mas em todos os anos, meus pais sempre me ligavam lá de onde estavam.... Dessa vez foi um pouquinho diferente... Eles se foram e é como se eu nem existisse... Dá uma tristeza... um aperto no peito, perceber que estou tão distante da minha família... Distante fisica e espirtualmente...

Eu não tinha o tel da casa onde eles estavam hospedados... No dia 31 eu consegui o tel de lá, através de um jeitinho ( que nem vou dizer aqui)... Liguei, minha cunhada hipócrita atendeu e meu saudou como se gostasse de mim... Meu pai pegou o tel e eu indaguei do descaso por não me ligarem e eu nem ter o tel de lá... Aí... minha mãe, depois de uma demora, chegou ao tel e me disse que não podia falar naquele momento, pois estava fazendo rabanada...

Sabe gente... Eu sei que fica a turma do "deixa disso" mandando eu esquecer... Mas não é fácil... isso me magoou... Eu fiz tudo pra esquecer esse pequeno grande detalhe... mas estou me sentindo ferida até hoje...

Continuam sem me ligar... alías, minto... meu pai que já voltou pro RJ, me ligou pra dizer que tinha depositado um dinheiro que me devia... e só...

Well!!!... Conclusões por conta de quem leu o post... Em mim só fica mesmo é a tristeza... Tristeza por não ter conseguido conquistar o amor da minha família... Tristeza por não ter conseguido o respeito dela... Tristeza por tanta gente me admirar por eu ter tido a força de mudar tanto e com dignidade... e essa mudança ser causa de vergonha pra eles...

Por isso eu jurei esse ano... Ainda terei a minha própria família!... Nessas datas não me sentirei machucada por ter sido esquecida, coisa e tal... Eu juro!!! Deus, me dá uma mãozinha, tá?!!!

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 Escrito por Marcinha às 13h30 [] [envie esta mensagem]



FINDI SEMANA NADA VIRTUAL...

Eita coisa boa!!! ... ehehe... nada melhor que ter gente de carne osso ao seu lado... poder olhar nos olhos... contar piada... rir muito... falar sério... enfim... viver real...

O Franco veio me visitar na quinta feira... Fui buscá-lo na rodoviária as 8 da manhã... Assim que nos vimos foi tão diferente da primeira vez... abraço apertado, sem expectativas, sem angústias, apenas amizade... Viemos pra casa conversando sobre tudo... Às vezes atropelávamos os assuntos de tanto que tínhamos pra contar um pro outro... Gentemmm !!! Que coisa boa quando conseguimos transformar uma paixão mal resolvida em uma forte amizade... Eu e Franco conseguimos fazer isso... Ríamos de tudo... desabafamos bastante nossas angústias.... e me senti tão próxima dele emocionalmente, como um irmãozinho querido...

Dessa vez, eu não era mais aquela mulher tensa em busca de sinais de paixão... eu apenas queria sua compania e amizade... Ele sentiu isso e percebi que nós dois ficamos muito mais à vontade... Nos abraçávamos e beijávamos sem o interesse sexual... apenas carinho mesmo... Puxa!!! Foi tão bom tê-lo aqui por esses quatro dias... Poder chegar do trabalho e contar as fofocas do dia... rirmos juntos de tudo, analisar cada pedacinho...

Na sexta-feira saímos pra comer uma pizza... Eu, Franco, Luciano e a mulher dele (amigos em comum)... Gostei pacas da Marília... Achei ela divertida e objetiva... bem do jeito que gosto.... Rimos muito... Conversamos papos seríssimos... Tiramos fotos... até uma em que o Franco me segurava no colo... Tadinho... sou magra... mas sou grande.. e por isso peso muito... e o coitado gritava pro Luciano bater logo... eheheh...

Franco tinha um pouco de receio sobre o que Li pensaria de tudo isso... mas eu expliquei que Li era cabeça feita nesse sentido e estava entendendo tudo muito bem... Tanto foi assim, que nós três juntos nos divertimos bastante... Li trouxe o CD de uma cantora chamada Dani Carlos... e que Franco ficou apaixonado... eheheh... então os dois ficavam trocando figurinhas sobre a beleza dela.. a voz... ghrrrrrrrr... não sou ciumenta... ghrrrrrrrr.... só atirei uns pratos e uns copos na parede... ahhahahah... e Franco ficava me zoando...

Franco vinha trocando emails com uma menina... e usou meu messenger e cam pra conversar melhor com ela... parece que minha casa deu sorteeeee... ehehehe... vamos aguardar... Só sei ele voltou pra casa todo feliz... Serei a madrinha do casamentooooo... ehehehe

Por essas e outras que digo que não sou uma pessoa virtual... Se me relaciono virtualmente é porque não posso, por algum motivo, trazer essas pessoas para o meu lado... Mas tenho fé que vou conseguir fazer um círculo de amizades suficientemente interessante pra que me sinta acompanhada, como me senti nesses dias... Foi 10!!!!!

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 Escrito por Marcinha às 20h27 [] [envie esta mensagem]



TÔ VOLTANDO!!!!

Depois de quase seis meses de batalha, finalmente, hoje saiu a publicação no Diário Oficial me transferindo do Forum longe para o Forum aqui perto de casa... Todos que são meus amigos mais de perto, acompanharam minha batalha e ansiedade, tentando tudo que me era possível fazer pra que isso acontecesse... Nunca quis sair do Fórum que fica a uma quadra do meu ap., pra trabalhar num que levo mais de 1 hora, de ônibus, pra chegar... Todos que acompanham o blog sabem que saí do Fórum aqui perto por causa de uma chefe tirana, com quem discuti feio... e... ganhei de presentinho esse "castigo"...

Enfim, galeraaaaaaaaaa, o que importa é que volteeeeei!!! É dia de feeeeesta!!!! Uma amiga me ligou do Forum Central, onde os Diários Oficiais chegam primeiro, me dando a notícia... Eu pulava... Cantava... Corria de uma lado pro outro.... Saí pro pátio do Forum e gritei que tinha saído minha publicação...e como todos já sabiam da minha batalha, vieram me abraçar.... até os desconhecidos me parabenizavam... Uma cena comédia total!!!... eheheh.... Depois, na hora do almoço, como todos almoçam no único restaurante da redondeza, parecia que eu tava fazendo aniversário... era um tal de parar nas mesas e abraçar as pessoas e todos me desejando sorte... ahahaha... Foi um dia bem divertido... Curti um bocado essa minha vitória!!!...

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BALANÇO DOS SEIS MESES NO FÓRUM LONGE...

Bem... não posso dizer que estive num inferno... estaria exagerando, até mesmo sendo injusta... o Fórum é extremamente mal localizado... longe de tudo... eu diria que longe da civilização... ahahaha.... Mas conheci pessoas legais por lá...

Era um lugar que ninguém sabia da minha situação trans... Então.. tive a oportunidade de perceber a diferença de não ter nascido uma mulher genética... eheheh... Os homens te tratam com atenção e gentileza... muitos demonstram desejo... As mulheres te tratam como uma igual, falando de assuntos como: menstruação e cólicas, como se eu soubesse o que é isso... ahahahaha.... Foi uma experiência interessante nesse sentido... mas frustrante em muitos momentos... momentos em que me sentia como que escondendo minha vida, meu passado... Essa sensação passou a me incomodar bastante depois de um certo tempo... é como se eu não me sentisse Márcia, como se eu fosse uma fraude e a qualquer momento as pessoas fossem descobrir meu passado.... Essa sensação é péssima na medida em que não fiz nadinha de errado... muito pelo contrário... eu me orgulho da minha trajetória.... me orgulho de tudo que superei... No entanto, tenho a impressão que a maioria das pessoas daquele Fórum se sentiriam enganadas se soubessem da questão trans... No final me sentia engolida pela própria "farsa" e cada vez mais ansiava a volta pro Fórum aqui perto, onde todos sabem da minha história...

Seria até muito cômodo pra mim ficar por lá, fingindo que eu era mulher genética... era super confortável sob um ponto de vista... mas ao mesmo tempo quando chegava um advogado que me conhecia, que conhecia minha história, era como se meu passado viesse a tona... e eu corresse perigo... Pombas!!! Eu tinha a sensação de estar me escondendo... quando na verdade não era nada disso... Apenas a situação foi indo por esse caminho e eu perdi o controle...

Imaginem... eu trabalhava com duas mulheres evangélicas... Já pensou como seria essa convivência??? Se soubessem do meu passado??? As vezes eu imaginava... as vezes fingia que o problema não existia... e ao final, vi que é bem mais complicado do que se imagina apagar o passado.... Porém... as pessoas podem achar que essa era a minha intenção... e nunca foi... eu sempre fui de conversar abertamente com as pessoas a respeito... Até mesmo pra mostra que ser trans não é viver no submundo... mas, sim, ser uma mulher comum, com suas peculiaridades, é certo, mas "normal"... não um E.T., como muitos imaginam... Uffaaaaaa!!! Pelo menos esse conta/não conta, descobrem/ou não descobrem terminou...

Interessante foi perceber o quanto minha imagem chega de forma atraente aos homens... pois desconhecendo a questão trans, eles se sentiam livres pra expor seus sentimentos... Com um sujeito me desentendi feio, pois tentou me dar um beijo na boca, forçado... Outros me chamavam pra almoçar... De advogados que não me conheciam anteriormente, recebia cantadas explícitas... Pro meu ego foi bom... ahahaha... Mas de todos o que mais me chamou a atenção, pela pureza de sentimentos, dedicação e insistência, foi o M., rapaz que trabalhava em outro setor e que desenvolveu uma verdadeira adoração por mim... Adoração tão explícitamente falada que todos me zoavam por conta disso... Era cada situação, que as vezes eu ficava irritada, contudo, tinha muita pureza nos sentimentos de M... e com o tempo ele foi conseguindo conquistar minha amizade... Consegui fazer ele entender que não sentia nada por ele nesse sentido... Ele se "conformou", mas nunca deixou de lutar... ehehe.... e nessas últimas semanas.... ele chegou a ficar deprimido por saber que eu ia embora... Hoje, na hora da despedida, ele chorou... e isso comoveu não só a mim, mas as pessoas que estavam em volta...

Foi uma temporada turbulenta, pela minha insatisfação em trabalhar tão longe de casa.. Mas ao me despedir do pessoal e sentir o carinho de tanta gente... inclusive do Juiz com quem trabalhei... chegou a me dar uma certa nostalgia... daquelas que nos assalta nos finais de festa... Mas, no geral, saí com uma impressão boa das pessoas e principalmente acho que deixei uma boa impressão... só por isso já valeu a pena ter passado por ali...

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 Escrito por Marcinha às 21h54 [] [envie esta mensagem]



O VÍCIO VIRTUAL...

Estou aqui olhando pro título desse post... e dezenas de pensamentos passam pela minha mente... todos descontrolados e de uma certa maneira me fazem sofrer... Não é um post fácil de escrever...

Há algumas semanas eu ando em uma crise interna e silenciosa com a minha relação com a net... Tenho feito balanços de todas as pessoas que conheci, das decepções e acertos... dos amores... enfim de tudo... E não consigo chegar a uma conclusão que me satisfaça, ou pelos menos de uma decisão que seja a que gostaria de tomar... Nos últimos meses, têm momentos que estou em frente a essa tela... e me dá um nojo de tudo... como se eu perguntasse a mim mesma o que estou fazendo com minha vida...

Sempre me lembro do Clayton... Nós custumávamos conversar sobre nossas personalidades compulsivas... e ele me explicava que certas pessoas são compulsivas e levam, tudo que dá prazer, ao extremo... Eu e ele somos assim... e isso já nos trouxe problemas no decorrer da vida... Ele tinha uma relação exagerada com a net... até que conheceu o Felipe... e se afastou daqui aos poucos... Hoje eu sinto como se ele tivesse se "curado da net", por um lado fico triste por ele ter sumido... mas por outro fico feliz em saber que ele está vivendo a vida que todos deveriam viver, ou seja, a vida não virtual...

Ontem conversava no messenger com uma amiga que gosto muito... a Yael... Ela esteve afastada da por uns dois meses... Entramos nesse papo e ela acabou confessando que esteve numa crise semelhante... por isso largou o computador e foi conhecer gente de carne e osso... Ficamos conversando um certo tempo... E eu a invejei... talvez porque eu ainda esteja tão envolvida com esse verdadeiro vício de net, que ainda não tenha tomado a decisão de fazer o que ela fez... No meio da conversa eu disse a ela da minha vontade de meter a vassoura no computador e quebrá-lo todo... e ela, sensata como é, me disse que não precisava quebrar o computador pra fazer o que tinha que ser feito... Claro!! Não é esvaziando as garrafas de uísque na pia que vc se livra do alcoolismo... e sim mudando sua relação com a bebida...

Fico pensando em como tudo se processa aqui... Conhecemos pessoas e investimos nessas pessoas durante semanas e meses... sem nem saber se aquela pessoa é na realidade aquilo que imaginamos dela... e isso se torna uma bola de neve, onde a idealização cresce a níveis absurdos... e fica um monte de gente se relacionando com janelinhas... Todos idealizando o ser que está do outro lado... Acho sinceramente que isso é um grave problema de relacionamento que se desenvolve cada vez mais... Que faz com que todos se isolem cada dia mais em suas casas... e vivam um mundo de fantasia... E nisso eu tenho me incluído, infelizmente...

Evidentemente têm pessoas que conheci aqui que se tornaram especiais na minha vida... poucas, é certo... Porque na maioria o que aconteceu foi uma avalanche de idealizações ocas que culminaram em nada....

Repenso e vejo quanto tempo perdido em frente a essa tela... Escrevendo textos longos, como esse que quase nunca sei o que acharam... Escrevendo e escrevendo infinitamente sem respostas... Como um jogo em que vc manda a bola e dificilmente ela é devolvida... Como um ping pong sem o pong... e vc fica enviando várias bolas no infinito sem respostas concretas.... Que vida é essa??? O que tenho feito com minha vida??? O que todos temos feito com nossas vidas???

Acho que apesar de toda essa vida virtual que tenho vivido... sofro porque não sou essencialmente virtual... ou seja.... Gosto do olho no olho... Sentir que tenho afinidades com uma pessoa e ter que ficar esperando uma janelinha abrir pra eu ter a compania desse ser humano... é algo que me desgasta por dentro... Eu sempre tenho urgência de ter a pessoa ao meu lado... Isso me angustia... e ao mesmo tempo a solidão tem me feito cair nessa armadillha de me relacionar com janelinhas...

Conheci há algumas semanas o Clau... é mais uma pessoa que sinto ter afinidades, conversamos muito sobre nossas vidas e tudo mais, nos tornamos importante um pro outro... Entretanto é mais uma janelinha que não se materializa... Bem... mas a questão do Clau não é essa... é que através do Clau eu tive contato novamente com o filme "A Rosa" e Janis Joplin... Pode parecer uma bobagem... um filme e uma cantora... mas não é o fato sim, mas o que simboliza... Revendo o filme eu me deparei com o vazio da minha vida atual... com o vazio de emoções concretas... Na época desse filme existia autodestruição na minha vida... no entanto. existia VIDAAAA também... Eu saía, beijava, discutia, brigava, me apaixonava, dançava, me decepcionava e conhecia o novo... Eu não era uma expectadora de mim mesma... eu fazia parte do que rolava no palco... E isso tem mexido demais comigo...

Tenho enviado um livro que escrevi há alguns anos pra uns amigos, esse livro volta e meia vem a tona... e sempre quando o tiro do baú e alguém o lê... sinto que eu perdi a mão pra viver... É como se eu tivesse mudado muito, mas ficado no vácuo da minha transformação... e preciso reverter tudo isso... Como??? Ainda não sei... Mas sei que vou dar um jeito nisso... nem que seja a força, no tranco, como fazia antigamente...

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 Escrito por Marcinha às 11h10 [] [envie esta mensagem]



UM JEITO DIFERENTE DE SER MULHER...

Quando eu tinha um corpo masculino sonhava em ser tratada como uma mocinha dos filmes românticos, sendo cortejada e bajulada naquela posição submissa da mulher do início do século passado.... Acho que todas nós mulheres, trans ou não sonhamos com isso em algum momento...

Meu corpo se transformou, passei pra fora a mulher que existia dentro de mim e tantos conceitos foram reformulados... Passei a sentir que não podia abandonar completamente meu lado masculino... tudo que vivi como "homem" estava gravado na minha existência. Mesmo sendo mulher mentalmente, algo de diferente se processava na minha relação com o mundo, refletindo de forma marcante nos meus relacionamentos

Hoje percebo que o macho/clássico/latino não me interessa muito... Os que mais me chamam a atenção são os homens mais femininos no modo de pensar... e percebendo tal aspecto, fui procurando esse tipo de homem... e me relacionando com o "clássico", eventualmente, em festas, boates e etc.... No meu dia a dia eu buscava mesmo era o "homem diferente".... pois me sinto uma "mulher diferente".... É como se eu precisasse expressar de alguma forma esse lado masculino que faz parte da minha história.... É dificil tocar nesse assunto, pois logo pensam que me arrependi por ter feito a cirurgia, ou que não gosto mais de homens, ou que quero ser uma mulher masculinizada... ehehe... Não é bem isso... é algo mais sutil... Que pra mim faz toda a diferença...

Bem... Nessa jornada eu acabei me deparando com as transexuais lésbicas (sempre odeio rótulos, mas preciso deles)... E essas me chamam a atenção de uma forma especial... por terem o masculino mesclado com uma mente feminina... De alguma forma isso me atraí... Talvez por ter a mesma história que a minha... Talvez por me deparar com mulheres em corpos masculinos... Bem... talvez por todos os motivos juntos... mas o que importa é que acho interessante... não me fechei pra essa possibilidade e tenho investido bastante, ultimamente, nesse novo lado que surgiu... Inclusive acho a relação sexual mais interessante, como se ficasse de igual pra igual.... sem uma definição marcada de papéis... Esclarecendo mais uma vez que não é inversão de papéis que busco... e sim a possibilidade de não marcá-los de uma forma tão fechada...

Claro que não deixei de ser hétero... minha atenção sexual sempre é voltada pros homens... mas deixo uma porta aberta pra todas as outras possibilidades....

Assim ficou a minha vida inteira... não só na esfera sexual... Hoje em dia sou uma mulher feminina.... mas com uma maneira de pensar "sui generis"... um tanto diferente das genéticas... até pela minha própria história de vida... Sinto que mesmo sentando de pernas cruzadas, não preciso fazer isso pra me sentir mulher.... Eu me dou a liberdade de tudo... tanto de usar um vestido bem feminino... quanto de, nos dias frios, usar as roupas masculinas que ainda tenho no meu armário... A sensação que tenho é que não preciso provar mais nada a ninguém.... E algo peculiar acontece com as trans quando estão no estágio de transição... sinto que, assim como ocorreu comigo, tentam o tempo inteiro se enquadrar no estereótipo.... Mas logo depois de efetuada a transformação, algumas acabam por abandonar o estereótipo feminino... pra ser um ser humano mais aberto pra vida... Afinal!!... De alguma maneira tem que ter servido passar por essa experiência trans... Se era pra gente se tornar uma bonequinha de luxo... do que serviu tanto sofrimento??? Tanta contestação??? Acho que todo esse questionamento tem que servir pra vc ter uma postura capaz de alterar o rumo da história, e não seguir a "manada" ...

É pra pensar....

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 Escrito por Marcinha às 21h59 [] [envie esta mensagem]



Para Sérgio...

Adorei seu comentário Sérgio... Pode deixar que vou procurar escrever mais aqui... ehehe.... deixe um email que te dou uma dica... ok?... beijos

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 Escrito por Marcinha às 22h49 [] [envie esta mensagem]



VOLTANDO

Faz um tempão que não escrevo aqui... mas é por falta de tempo... só isso...

Um motivo especial me fez reativar o blog ... Conheci alguém interessante... que me chamou a atenção e que lê esse blog... ehehe... eu prometi pra essa pessoa que reabriria o blog por causa dela...

Essa pessoa surgiu numa madrugada, no messenger... e rapidamente se desenvolveu um elo... inexplicável... que a gente já tentou desvendar, mas não queremos mais compreender... apenas estamos deixando seguir o curso...

Em breve nos encontraremos  pessoalmente... E estamos esperando esse encontro pra poder poder definir em nossas mentes e corações o que vem acontecendo... que a gente sabe o que é ... mas que necessita do encontro pessoal...

Em breve serei mais clara... Beijos pra vc, pessoa especial... ehehe... e beijos pra quem passar por aqui...

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 Escrito por Marcinha às 10h56 [] [envie esta mensagem]



RELATO DA MINHA CIRURGIA DE TRANSGENITALIZAÇÃO
 
No inicio de abri de 2001 eu chegava a cidade de São José do Rio Preto/SP para ser operada pelo Dr. Carlos Cury... A princípio eu iria fazer com o Jalma Jurado... mas como ele tinha me cobrado r$ 12.000,00 sem internação e o Cury cobrava r$ 8.000,00 com 10 dias de internação num bom hospital... e tendo tido como referência uma amiga que tinha feito com o Cury 1 mes antes... Eu acabei optando pelo Cury...
 
Fiz uma bateria de testes com a Psicóloga Jaqueline... um amor de pessoa... e passei com por uma consulta com o psiquiatra Dr. Sérgio... esse não fui muito com a cara... Os dois me cobraram pelo laudo de transexualismo r$ 800,00... que foi me dado de forma quase imediata...
 
No dia 11 de abril eu me internei no Hospital de Base pra fazer a cirurgia... O quarto era muito confortável e tinha direito a uma acompanhante com todas as refeições incluídas... Mas não tive nem o prazer de jantar... pois a enfermeira me trouxe uma jarra de suco de laranja com purgante pra eu tomar todinha... Credo!!! Aqulo era horrivel... e acho que não sobrou nada dentro de mim... Só que eles me proibiram de beber agua... mas o purgante ressecou completamente a minha boca... eu fiquei enlouquecida de sede... acho que bebi mais de 4 litros de agua naquela noite sem que os enfermeiros soubessem...
 
No dia seguinte a enfermeira me acordou por volta das 5 da manhã... raspou todos os pelos na região genital... e me preparou pra cirurgia...
 
Me levaram para o centro cirurgico e me deixaram uns vinte minutos sozinha lá... Gentemmm !!! Que desespero... nunca me senti tão só na minha vida... Minha família não sabia que eu tava lá pra fazer essa cirurgia... eu não conhecia ninguem naquela cidade... Ali naquela sala gelada eu tive muito medo... medo de morrer e nunca mais ver minha mãe... medo de que a cirurgia desse toda errada... medos e medos... pânico mesmo... vontade de desistir de tudo... Mas daí a pouco entrou o pessoal... a anestesista me deu uma injeção e eu dormi...
 
No meio da cirugia acordei sentindo eles me rasgarem.. foi horrível... eu comecei a me debater... xinguei a anestesista por ter deixado que eu acordasse e ela logo me fez dormir novamente....
 
Entretanto assim que tava sendo retirada da sala de cirurgia acordei... e posso dizer que a dor era imensa... algo que não se parecia com nenhuma dor que tinha sentido... ardia... cortava, pesava... era como se eu tivesse sendo queimada... Me colocaram numa sala pra observação... e eu tava desesperada de dor... pedi a um enfermeiro que me aplicasse qualquer coisa... ele me deu uma injeção que diminuiu um pouco a dor...
 
Logo depois fui levada pro quarto... Ali começava meu longo tormento... Sentia-me muito fraca... era como uma sensação de morte.... eu não tinha forças nem pra falar... e aquela dor imensa e cortante que não me abandonava nem um segundo... fui pedindo analgésico ao enfermeiro até que uma hora ele disse que não podia me dar mais nenhuma analgesico pois eu já tava com uma superdose... e a dor não passava...
 
Dali em diante eu vi o quanto de sofrimento ainda faltava... Chorava porque não tinha ninguem conhecido a minha volta... a não ser a menina que ficou como minha acompanhante que eu mal conhecia... mas depois acabou virando uma boa amiga...
 
No dia seguinte os enfermeiros quiseram me dar banho e eu desmaiei no banheiro... eu me sentia absolutamente fraca... como se não tivesse dominio sobre meu corpo... e a dor que não passava um só instante... as vezes ela aumentava tanto que eu tinha vontade de simplesmente apagar de vez pra não ter que suportar aquilo... Arrependimento de tudo me passava pela mente... Achava que não ia sair viva daquele hospital... não sabia porque me sentia tão fraca...
 
(CONTINUA NO POST ABAIXO)
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 Escrito por Marcinha às 17h08 [] [envie esta mensagem]